Há razões para otimismo no cinema português



Joana de Verona e Diogo Amaral em Pedro e Inês, de António Ferreira

Levantamos o véu sobre os novíssimos projetos apresentados no 2º Encontro do Cinema Português. Há razões para o mercado ficar otimista...


Variedade e mais variedade. O cinema autoral de braços dados com o cinema popular. Pedro & Inês, Eusébio, enfermeiras "boazonas" e Fernão Mendes Pinto. O 2.º Encontro do Cinema Português teve um pouco disto e muito mais. Pelo segundo ano consecutivo, a NOS Audiovisuais juntou as produtoras portuguesas para apresentar os seus próximos filmes a uma plateia de exibidores, distribuidores e jornalistas na passada terça-feira. Oportunidade única para vermos as primeiras imagens dos próximos filmes e assistir a um debate com fações supostamente opostas do nosso cinema.


Uma das grandes novidades foi o anúncio da próxima produção de Leonel Vieira, Herdaste o Variedades!, de Sérgio Graciano, cujas filmagens arrancam em agosto para se estrear no final do ano. É um projeto para fazer brilhar Bruno Nogueira, que é o protagonista de uma história onde ele próprio recebe como herança o Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa. Humor, meta referencial em que também são convocados os seus amigos, que poderá atrair o grande público e onde se destacam nomes como Lúcia Moniz, José Raposo, Beatriz Batarda e Albano Jerónimo.


Grande expectativa também foi criada por António Ferreira, produtor e realizador de Pedro e Inês, a sua nova longa-metragem inspirada no livro A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria. O filme começa apenas a ser rodado no final deste mês e é uma coprodução com o Brasil. Segundo o realizador, não será uma obra de época pesadona e deu como exemplos a estética de Romeu e Julieta, de Baz Luhrman. A ação passa-se em três épocas temporais diferentes e a rodagem será toda feita em Coimbra. Joana de Verona será Inês, enquanto Diogo Amaral dará vida a Pedro.


João Botelho apresentou também as primeiras imagens de Peregrinação, o épico baseado na obra de Fernão Mendes Pinto, rodado entre Portugal e diversos países da Ásia. Do que se pode ver, a escala do filme é bastante considerável e adivinha-se mais uma superlativa interpretação de Cláudio da Silva, que já tinha sido precioso em Filme do Desassossego. Chega às salas no começo de novembro.


Ainda sem data de estreia ou de filmagens está Linhas de Sangue, de Manuel Pureza e Sérgio Graciano, extensão para longa da curta com o mesmo nome que encantou o MOTELx em 2007. Um filme de terror com "enfermeiras boazonas" e heróis de ação musculados.


Da Leopardo Filmes de Paulo Branco vimos as primeiras imagens de Ruth, de António Pinhão Botelho, a partir de um guião de Leonor Pinhão. Esta história sobre a chegada do Pantera Negra a Lisboa vai ser filme e, posteriormente série televisiva. Ainda está em rodagem, em Moçambique.


O mais desconcertante dos projetos foi da Blackmaria, o musical de fado, Alfama em Si, de Diogo Varela Silva. O filme é inteiramente cantado e o seu formato parece realmente resultar, tal como os samplers de Hotel Império, de Ivo Ferreira, Al Berto, de Vicente Alves do Ó, e Caminhos Magnéticos, de Edgar Pêra.


Fonte: Diário de Notícias
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