Último dia da Queima dedicado a Bernardo Sassetti

Último dia da Queima dedicado a Bernardo Sassetti

Foi na última noite da Queima das Fitas de Coimbra, 11 de maio – sexta-feira -, que se deu um dos maiores tributos à música portuguesa. Juntaram-se em palco os Doismileoito, Salto!, e a All Star Band com Virgul, Lúcia Moniz, Cool Hipnoise, Jorge Palma e Rui Veloso.
A noite começou cedo com Doismileoito em palco.
Com pouquíssimo público, a banda não deixou de dar o seu melhor e de apresentar o novo álbum de estúdio, Pés Frios. Em conferência de imprensa, o baixista, Nicolau Fernandes esclarece que «o mais importante não é o número de pessoas a ouvirem o concerto: podem estar zero ou 2008 pessoas, mas o que realmente interessa é a transmissão de energia em cada música tocada».
Bilhete de Ida foi um dos temas que deu início a uma noite, que prometia juntar um público bem mais adulto, uma plateia bem diferente, do tipo que se desloca para ouvir uma banda de «pop-rock português» de ritmo inovador e jovem.
Sem se deixarem intimidar, tocaram Quinta-Feira, Pés Frios, Carta aos Mortos e Acordes com Arroz.
Porém foi Bem Melhor 12200074 , que fez curiosos, fãs e até alguns de passagem, saltar e cantar ou trautear o êxito da banda.
Quanto ao facto de abrirem o último dia da queima, o vocalista Pedro Pode disse em conferência que «é um trabalho sujo, mas alguém quem de fazer». E quanto ao facto de uma música ter várias versões de letra, o vocalista em tom de brincadeira, esclareceu também que tal acontece porque «às vezes esqueço-me das letras e tento improvisar e outras vezes é porque já são letras antigas e quero dar algo de novo. Acabo por estar sempre a fazer arranjos e a rearranjar».
Já com os Salto! em palco, a banda que começou o concerto já passava meia hora da meia noite, mostrou a um público ainda em formação, um rock-pop português com muitos sintetizadores à mistura.
 Depois de tocarem, na edição do ano passado da Queima das Fitas, no palco da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), Gui e Luis confessam que havia no público muito mais gente e que por isso «foi bastante diferente. (…) Assustei-me um bocado mas correu tudo bem. Coimbra deu-nos energia».
Ainda em conferência, a banda declarou que sentiram a grande responsabilidade em abrir a noite para os All Star Band e que o pessoal de Coimbra é diferente do resto do país , pois não precisa conhecer um álbum para «curtir o concerto».
Com o álbum de estreia da banda ainda «no forno», o grupo tocou algumas músicas já conhecidas do público, como Deixar Cair. Este single, já com videoclip, conta com a direcção de André Tentúgal dos We Trust.
Sem 100, por sua vez, marcou a noite com uma dedicação ao incontornável músico Bernardo Sassetti, que havia falecido no dia anterior.
O início do fim começa quando Jorge Palma entra em palco, dando início ao concerto mais esperado da noite.
Imperdoável, single de apresentação do novo álbum Com todo o respeito, foi a escolhida pelo músico. Com espectaculares improvisos ao piano, Palma não desilude e dá o seu máximo. Contudo foi o aclamado Encosta-te a Mim fez com que o público cantar  em uníssono para acompanhar o cantor.
Sem darmos conta, o concerto chega ao fim, com a participação de Lúcia Moniz, no tema Frágil. Com largos minutos de mais improviso ao piano, Jorge Palma dá lugar a Lúcia Moniz.
Também sentada ao piano, é assim que a cantora e actriz se apresenta. Dizer Que Não foi o ponto alto da sua pequena prestação de  duas músicas. Apesar de pouco tempo em palco, Lúcia não se mostrou desconfortável ou desanimada. Enquanto tirava fotos do público, sorria e falava com o público.
Com uma energia contagiante chega Virgul. Mais conhecido pelo projecto Da Weasel, dá agora cartas com Nu Soul Family. Com a companhia de Dino, dos Dino & Soul Motion, Virgul não parava em palco. Sempre de um lado para o outro e a puxar pelo público, Virgul apresenta-se em Coimbra, com uma cover dos GNREspelho Meu.
É inevitável não tocar um dos grandes êxitos de carreira, ou não fosse esta noite uma noite de revista aos maiores marcos na música  portuguesa. Nunca Me Deixes, dos Da Weasel, foi tema preferido para muitos apaixonados e que deixou todos os saudosistas da banda de Almada a querer mais.
Contudo o tempo não pára e chega a vez de Cool Hipnoise. Ainda com Virgul e Dino em palco, a banda tem uma prestação positiva, cheia de boa disposição e energia.
Kita essa Dama foi o ponto alto da prestação do grupo que  funde vários estilos, desde o hip hop ao soul.
Rui Veloso chega. De preto e luz escuras em palco, começa o concerto com uma dedicatória, a segunda desta noite: «Perdemos um grande músico ontem. Vamos dar um pequeno momento ao Berni. Chamo-o Berni porque conheço-o desde puto. Queria tanto que me ouvi-se agora».
Morena de Azul deu inicio à participação de Veloso, com tristeza estampada no rosto e óculos de sol numa noite quente. Apesar da angustia que se sentia vir do palco, antes de tocar Não Há Estrelas no Céu, o músico português respondeu com um sorriso aos gritos. Lado Lunar e Anel de Rubi também faziam parte da set list. Juntando-se também à festa, aparece Chico Fininho, até que Rui exclama: «Esta noite é do Bernardo, fodas!».
Primeiro Beijo foi o mais esperado pelos fãs, quando todos os artistas da All Star Band voltam ao palco e cantam com Rui Veloso. Entre solos de guitarra e de saxofone, todos deram o seu melhor na estreia do projecto.
Em conferência de imprensa, Virgul explica que All Star Band foi uma iniciativa da Associação de Estudantes, que teve como inspiração o formato do Rock In Rio, onde vários artistas juntam-se em palco e tocam os seus maiores êxitos.
Sem dúvida, foi com uma grande homenagem à música portuguesa que melhor se termina a edição de 2012 da Queima das Fitas de Coimbra, na Praça da Canção. Para o ano há mais!
Texto e Fotografia de Vanessa Sofia

Fonte : Espalha-Factos



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