“Portugal, 12 pontos”. Do melhor ao pior na Eurovisão /premium

Este ano, Cláudia Pascoal e Isaura têm com “O Jardim” a 50.ª canção na Eurovisão. Porque a história portuguesa no festival é longa, recordamos as outras 49, das melhores às piores classificadas.

No ano passado a RTP acertou finalmente no plano para se ganhar o Festival Eurovisão Da Canção. Mas foram décadas a trabalhar duro, muitos anos seguidos a chover no molhado, anos em que nem se foi porque as prestações anteriores tinham sido más (2000, 2002, 2013 e 2016), ou porque Portugal se recusou a ir como forma de protesto contra o sistema de votação (em 1970, a canção vencedora portuguesa, “Onde Vais Rio Que Eu Canto” de Sérgio Borges, não participou).
Portugal era alvo de chacota, o país com o maior número de presenças sem ganhar nada. Há recordes que se têm e que só o detentor o pode destronar. Assim foi com Salvador Sobral e “Amar Pelos Dois”. Tudo começou em 1964, 49 canções que foram à Europa, relembradas do melhor até ao pior resultado. Algumas tiveram uma classificação injusta, parte dessas ficou na memória popular portuguesa, mas muitas que foram representar Portugal eram muito, muito más. Parece que finalmente atinámos. E este ano vamos com Isaura e Cláudia Sobral.

Salvador Sobral: “Amar Pelos Dois”

Kiev, 2017 – 1º lugar, 758 pontos


O 133.º dia do ano é também o Dia de Nossa Senhora de Fátima e em 2017 celebrou-se a visita do Papa Francisco a Portugal com a primeira vitória portuguesa no Festival Eurovisão da Canção. A fezada portuguesa era muita, os astros estavam alinhados para que o dia acabasse em beleza e a Europa – e o mundo – só podiam mesmo “Amar Pelos Dois”. Salvador Sobral, com a canção da sua irmã Luísa Sobral, fez o que se esperava. E é por causa dessa vitória que pela primeira vez a Eurovisão acontece entre nós.

Lúcia Moniz: “O Meu Coração Não Tem Cor”

Oslo, 1996 – 6º lugar, 92 pontos


A língua e a cultura portuguesa numa canção, o tema interpretado por Lúcia Moniz era bem-disposto q.b. e havia razões para ter alguma esperança. As palavras amigas de António Guterres foram insuficientes para ir além do sexto lugar (só o Presidente Marcelo tem os poderes do Presidente Marcelo) e não se soube dignificar essa posição no ano seguinte, com “Antes Do Adeus” de Célia Lawson (está mesmo lá para baixo neste artigo). Lúcia Moniz continua a ter carreira musical, mas passou este século a ser mais actriz. Novelas, séries e alguns filmes. Ninguém esquece a Aurélia de “O Amor Acontece”.

Carlos Mendes: “A Festa Da Vida”

Edimburgo, 1972 — 7º lugar, 90 pontos


Devia ter acontecido no Mónaco, mas por razões logísticas, a Eurovisão em 1972 aconteceu em Edimburgo. Carlos Mendes venceu o então chamado Grande Prémio TV da Canção e foi para a capital escocesa com um tema positivista sobre esta coisa de viver a vida: com negatividade não se chega a lado algum. “A Festa Da Vida” ficou mesmo para sempre na sua vida e, neste ano, lançou um álbum – o primeiro em quase duas décadas – com o mesmo nome. Foi a segunda participação de Carlos Mendes (só ele, Simone de Oliveira e Dora repetiram a dose) no Festival, depois de em 1968 ter participado com “Verão”: canção também com sol e luz mas que só lhe valeu cinco pontos. O próprio acredita que poderia ter ido mais longe, ambicionava o primeiro lugar. Ficou em sétimo. Ou seja: CM7.

José Cid: “Um Grande, Grande Amor”

Haia, 1980 – 7º lugar, 71 pontos


“Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye” é assim que começa a canção que Portugal levou à 25ª edição da Eurovisão. “Um Grande, Grande Amor” foi a quarta tentativa de José Cid no Festival RTP Da Canção e apesar da sua canção anunciar a despedida dos palcos europeus, isso não o demoveu de continuar a tentar (voltaria enquanto compositor e letrista de “Se Eu Te Pudesse Abraçar” dos Alma Lusa em 1998). Regressou ao Festival RTP da Canção por diversas – diversas — vezes, como intérprete ou compositor, e, claro, voltou a tentar em 2018 com “O Som da Guitarra é a Alma de um Povo”.

Dulce Pontes: “Lusitana Paixão”

Roma, 1991 – 8º lugar, 62 pontos


A dado momento ouve-se “um grande amor” a sair de Dulce Pontes. Não sabemos se estava a citar directamente, ou não, José Cid, mas Dulce Pontes anunciava assim o início da sua carreira bem proveitosa. No ano seguinte seria editado Lusitana, o seu primeiro álbum, portugalidade ainda bem assente no título, e estava a caminha feita para meter uma canção (“A Canção Do Mar”naquele filme com o Richard Gere.

Sara Tavares: “Chamar A Música”

Dublin, 1994 – 8º lugar, 73 pontos


Foi a oitava canção a ser interpretada nessa noite de 30 de abril em Dublin e, infelizmente, foi nessa posição que também ficou. Havia grande esperança na canção de Sara Tavares, principalmente após a forma como encantou Portugal no início dos programas de talentos, com a vitória na primeira edição do “Chuva de Estrelas” (1993-1994). Foi o pico numa sequência de anos bons para Portugal, com Dulce Pontes e Anabela; era impossível imaginar que o que viria a seguir se chamaria “Baunilha e Chocolate”.

Tonicha: “Menina Do Alto Da Serra”

Dublin, 1971 – 9º lugar, 83 pontos


À altura, esta foi a melhor classificação portuguesa, batida logo no ano a seguir com “A Festa Da Vida” de Carlos Mendes. Canção bonita, escrita por Ary dos Santos, “Menina Do Alto Da Serra” mostrou que Portugal conseguia chegar a posições sem dois dígitos. Nesse ano ganhou o Mónaco, que no ano seguinte nem teve condições para acolher o Festival. Uma pena.

Manuela Bravo: “Sobe, Sobe, Balão Sobe”

Jerusalém, 1979 – 9º lugar, 64 pontos


Ano em que se fixa o nome “Festival RTP da Canção”. A canção portuguesa é apresentada com um vídeo que mostra uns portugueses “fardados à portugueses” a puxarem uma corda imaginária que traz uma garrafa de Vinho do Porto. Ah, estereótipos, que saudades! Com letra e música de Carlos Nóbrega e Sousa, Manuela Bravo levou uma canção que deixaria qualquer país esperançado. Graças ao seu êxito, convenceu-se a abandonar o Direito e dedicar-se à música. Infelizmente, a sua vida artística não levantou voo para os céus como o seu balão.

Fernando Tordo: “Tourada”

Luxemburgo, 1973 – 10º lugar, 80 pontos


Em 1973 Fernando Tordo interpretou duas canções no então Grande Prémio TV da Canção, “Carta de Longe e “Tourada”. Esta última foi a escolhida, escrita em parceria com Ary dos Santos. Bem enganou a censura na altura. Valente e corajosa, um décimo lugar, sim, mas a história prova que foi muito mais do que isso.

Anabela: “A Cidade (Até Ser Dia)”

Millstreet, 1993 – 10º lugar, 60 pontos


Anabela voltou a tentar este ano com a canção “P’ra Te Dar Abrigo”, mas ficará lembrada como a adolescente de 16 anos que foi à Irlanda tentar vencer. Não aconteceu, ficou na primeira metade da tabela, com uma canção que ainda hoje não sai da cabeça.

Carlos Mendes: “Verão”

Londres, 1968 – 11º lugar, 5 pontos


Primeira participação de Carlos Mendes no Eurovisão. A melhor participação até então serviu para Carlos Mendes ganhar calo para depois dar tudo, quatro anos depois, em Edimburgo com a canção “A Festa Da Vida”. O verão acabou mesmo por voltar.

Maria Guinot: “Silêncio e Tanta Gente”

Luxemburgo, 1984 – 11º lugar, 38 pontos


Aos quatro anos tocava piano, mas circunstâncias da vida levaram-na a pôr uma pausa na música e tornar-se hospedeira da TAP. Nos anos 1980 volta à música, participa em 1981 no Festival RTP da Canção, com “Um Adeus, Um Recomeço” mas é em 1984 que ganha com uma canção que é uma das mais marcantes do historial português na Eurovisão, “Silêncio e Tanta Gente”. Esperava-se mais do que um 11º lugar. Ficou a canção e a memória de Guinot ao piano.

Eduardo Nascimento: “O Vento Mudou”

Viena, 1967 – 12º lugar, 3 pontos


Angolano e membro da banda Os Rocks, esta canção de amor de Eduardo Nascimento quebrou o enguiço de 3 participações consecutivas em 13º lugar. Foi o primeiro cantor negro a subir ao palco da Eurovisão. Há histórias que dizem que ganhou a mando de Salazar para este provar que não era racista. Seja como for, a música ficou.

Carlos do Carmo: “Uma Flor De Verde Pinho”

Haia, 1976 – 12º lugar, 24 pontos


Ano caricato para a participação portuguesa, as oito canções a concurso em 1976 no então denominado “Uma Canção Para A Europa” foram todas interpretadas por Carlos do Carmo. “Uma Flor De Verde Pinho”, letra de Manuel Alegre e Thilo Krassman, foi a escolhida para representar Portugal. Os franceses gostaram muito da canção e deram doze pontos, sendo os restantes doze distribuídos por Luxemburgo, Grécia, Finlândia e Itália. Carlos do Carmo vingou-se em 2014 quando ganhou o Grammy Latino de Carreira.

Alma Lusa: “Se Eu Te Pudesse Abraçar”

Birmingham, 1998 – 12º lugar, 26 pontos


Credo. José Cid lá foi outra vez à Eurovisão com uma canção que nos lembra o mau gosto de certas coisas dos 1990s e as péssimas ideias que envolviam o Portugal que abraçava o mundo da Expo 98. Os Alma Lusa contavam com Inês Santos, a Sinead O’Connor do “Chuva De Estrelas”. Façam o favor de não relembrar esta canção. E estás perdoada Inês, a culpa não foi tua, mas do mau gosto que pairava no ar nessa altura.

António Calvário: “Oração”

Copenhaga, 1964 – 13º lugar, 0 pontos


Bem, ao menos Portugal não ficou em último. Isto porque mais três países foram para casa com zero pontos: Alemanha, Jugoslávia e Suíça. Foi assim a primeira participação portuguesa no Festival. Tudo começou com uma oração. Não correu bem em 1964, só se colheu frutos em 2017. E não foi a única vez que uma canção portuguesa teve zero pontos. Célia Lawson está mesmo lá para baixo.

Simone de Oliveira: “Sol de Inverno”

Nápoles, 1965 – 13º lugar, 1 ponto


Quis o destino que o primeiro ponto para Portugal fosse atribuído pelo Mónaco em Nápoles. Um pontinho, foi mais do que Espanha, Alemanha, Bélgica e Finlândia conseguiram. Injusto, sim. Mas se serve de consolo, o tempo provou que apenas os monegascos perceberam – nem que fosse só um bocadinho – o que aqui estava.

Madalena Iglésias: “Ele e Ela”

Luxemburgo, 1966 – 13º lugar, 6 pontos


Terceiro 13º lugar consecutivo mas uma coisa boa saiu daqui: Madalena Iglésias levou a primeira canção bem-disposta para um Eurovisão. Esse lugar ninguém lhe tira.

Doce: “Bem Bom”

Harrogate, 1982 – 13º lugar, 32 pontos


A primeira – e favorita – girl band portuguesa podia estar à frente do seu tempo no que ditavam os costumes e as tendências. Deram tudo com “Bem Bom”, esta criação de António Pinto, Pedro Brito e Tozé Brito. Mudaram a forma como os portugueses dizem e pensam as horas da manhã.

Armando Gama: “Esta Balada Que Te Dou”

Munique, 1983 – 13º lugar, 33 pontos


Reza a história que o título original da canção era “Esta Lambada Que Te Dou” mas Armando Gama achou que seria melhor trocar “lambada” por “balada” visto a canção se tratar de uma balada. Terminado o momento “Seinfeld” do “War, What Is It Good For?”, a única coisa a apontar deste Eurovisão é que foi o primeiro em que se usaram microfones sem fios.

Vânia Fernandes: “Senhora Do Mar (Negras Águas)”

Belgrado, 2008 – 13º lugar, 69 pontos


Vânia Fernandes, descoberta através do programa “Operação Triunfo”, era um trunfo. As expectativas foram muito altas, esperava-se que Portugal ganhasse com esta canção, depois de anos miseráveis em que a RTP escolheu as canções de uma forma muito particular. Vânia convenceu Portugal mas falhou no Eurovisão, 13º lugar e 69 pontos, muito distante dos 272 conseguidos por “Believe” de Dima Bilan da Rússia.

Paulo de Carvalho: “E Depois Do Adeus”

Brighton, 1974 – 14º lugar, 3 pontos


O 25 de Abril ainda estava por acontecer quando Paulo de Carvalho subiu ao palco a 6 de abril. Talvez as coisas tivessem sido diferentes se o evento tivesse sido umas semanas depois. Ou talvez não, os grandes vencedores foram os Abba com “Waterloo”, claramente o nome mais popular e bem sucedido que alguma vez ganhou o Festival. Pensando bem, não havia hipótese, ninguém tinha hipótese.

Os Amigos: “Portugal No Coração”

Londres, 1977 – 14º lugar, 18 pontos


Em 1977 a RTP decidiu voltar a inventar. Em tudo, até no nome: “As Sete Canções”. Naquela ocasião a proposta era a seguinte: que cada canção, das sete que participaram, tivessem duas interpretações. Ganharam Os Amigos (Ana Bola, Edmundo Silva, Fernanda Piçarra, Fernando Tordo, Luísa Basto e Paulo de Carvalho) com “Portugal No Coração”, de Ary dos Santos e Fernando Tordo. Estavam todos a bordo, menos o júri.

Dora: “Não Sejas Mau Para Mim”

Bergen, 1986 – 14º lugar, 28 pontos


Última canção da edição de 1986 e o apresentador britânico diz para se prestar atenção à forma como Dora está vestida: pode vir a tornar-se moda. Não foi, mas ficou uma grande canção pop. Foi a primeira das duas participações de Dora no Festival. Portugal já estava na CEE.

Simone de Oliveira: “Desfolhada Portuguesa”

Madrid, 1969 – 15º lugar, 4 pontos


Corria o rumor que Portugal iria ficar em terceiro lugar, mas Simone de Oliveira não acreditou nisso. Fez bem para não sair desiludida, com uma canção que lhe deu muitas dores de cabeça por causa de versos como “Quem faz um filho fá-lo por gosto”. O resultado ficou aquém, mas os portugueses não sentiram isso: no regresso, de comboio, Simone de Oliveira foi recebida por milhares de pessoas em Santa Apolónia. Pediram-lhe para cantar a “Desfolhada” para aquela gente. E ela assim o fez, do comboio. A campeã tinha voltado.

Flor-de-Lis: “Todas As Ruas Do Amor”

Moscovo, 2009 – 15º lugar, 57 pontos


Um pequeno exercício, oiça o vídeo desta canção sem som. E depois lembre-se que a banda se chama “Flor-de-Lis”. Agora ponha o som. Aqueles 57 pontos foram muito generosos.

Duarte Mendes: “Madrugada”

Jerusalém, 1975 – 16º lugar, 16 pontos


Talvez por Duarte Mendes ser a pessoa com o ar mais turco depois da comitiva turca, a Turquia deu pontuação máxima a Portugal. Foi isso que safou “Madrugada” em 1975, senão estava mais para baixo neste artigo. Canção pouco inspirada.

Da Vinci: “Conquistador”

Lausanne, 1989 – 16º lugar, 39 pontos


“Já fui ao Brasil
Praia e Bissau
Angola Moçambique
Goa e Macau 
Ai, fui até Timor 
Já fui um conquistador”
e também:
“Foram dias e dias
E meses e anos no mar
Percorrendo uma estrada de estrelas
A conquistar”
E só 39 pontos? Inserir emoji triste.

Gemini: “Da-Li-Dou”

Paris, 1978 – 17º lugar, 5 pontos


Os Gemini tinham quatro canções a concurso no “Uma Canção Portuguesa” e ganhou aquela sobre um papagaio. Foi o ano de canções com títulos giros na Eurovisão e acabaram por ganhar os israelitas Izhar Cohen & Alphabeta com “A-Ba-Ni-Bi”.

Dina: “Amor D’Água Fresca”

Malmo, 1992 – 17º lugar, 26 pontos


Ficou na cabeça de J.K. Rowling, mas o júri não percebeu o tutti frutti de Dina e o sentido pop disto tudo: “Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça”. Pode ser que alguns não tenham percebido, mas rimar cesta com cabeça é possível.

MTM: “Só Sei Ser Feliz Assim”

Copenhaga, 2001 – 17º lugar, 18 pontos


Sabem o que acontece quando se mete um grupo chamado MTM (para abreviar Marco, Tony e Música) na Eurovisão? Tem-se uma classificação má mas, sobretudo, o embaraço é tão grande que Portugal não recebe um convite para participar em 2002. E como é que se responde em 2003? Com Rita Guerra.

Carlos Paião: “Playback”

Dublin, 1981 – 18º lugar, 9 pontos


Num ano em que as Doce tentaram com “Ali-Bábá (Um Homem das Arábias)”, Maria Guinot com “Um Adeus, Um Recomeço” e, claro, José Cid com “Morrer De Amor Por Ti”, o escolhido para representar Portugal na Eurovisão foi Carlos Paião com o seu “Playback”, mas o mundo ainda não estava preparado para aquele look hipster e para um coro futurista de uma equipa de curling. Falhou, mas ficou a canção.

Adelaide Ferreira: “Penso Em Ti (Eu Sei)”

Gotemburgo, 1985 – (18º lugar, 9 pontos)


Canção assim-assim e com pouca presença para um palco destes. Foi um bom esforço para se conseguir o pior resultado nesse ano, mas até aí se falhou. Penúltimo lugar, ultrapassados pelos belgas que só receberam sete pontos.

Duo Nevada: “Neste Barco à Vela”

Bruxelas, 1987 – 18º lugar, 15 pontos


Na apresentação da canção, o comentador lamenta que Portugal nunca tenha ganho e que raramente faça uma pontuação de jeito. Depois de no ano anterior se ter enviado Dora, em 1987 optou-se por algo no campeonato da fusão, fado com foleirada. Claro que não correu bem.

Dora: “Voltarei”

Dublin, 1988 – 18º lugar, 5 pontos


Após a modernidade de “Não Sejas Maus Para Mim”, Dora voltou a tentar a sua sorte dois anos depois. “Voltarei” é uma canção bem mais tradicional e sem o arrojo da outra tentativa. Resultado de uma mudança na lógica do Festival RTP da Canção, a canção de Dora foi a primeira a ser escolhida por uma selecção interna da estação pública.

Filipa Azevedo: “Há Dias Assim”

Oslo, 2010 — 18º lugar, 43 pontos


Filipa Azevedo conseguiu o quarto lugar na sua semifinal, o que deu algumas esperanças de uma melhor qualificação, mas na final a sua canção estatelou-se ao comprido. Apenas 43 pontos, 12 deles dados pelos irmãos espanhóis.

Nucha: “Há Sempre Alguém”

Zagreb, 1990 – 20º lugar, 9 pontos


A canção de Nucha foi escolhida para manter a regularidade das más pontuações dos anos anteriores, num ano em que a RTP adoptou a designação “”Gostamos de Estar Consigo” para o Festival RTP da Canção. Portugal estava a preparar a Europa e o mundo para Dulce Pontes.

Tó Cruz: “Baunilha e Chocolate”

Dublin, 1995 – 21º lugar, 5 pontos


Dulce Pontes, Anabela e Sara Tavares. Na primeira metade da década de 1990 estava tudo a correr mais ou menos bem até se borrar a pintura com esta canção de Tó Cruz. Provavelmente, a canção com o pior final que já se levou ao Eurovisão, o tempo não tira a dor daquele “tanto faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaz”.

Rui Bandeira: “Como Tudo Começou”

Jerusalém, 1999 – 21º lugar, 12 pontos


Não fosse a simpatia dos amigos franceses com os seus doze pontos, talvez uma forma de pedirem desculpa por anos e anos de piadas porcas sobre as portuguesas e reconhecerem na escultura capilar de Rui Bandeira um certo look do português emigrado, “Como Tudo Começou” poderia ter acabado com um justo zero. Só o Chipre e a Espanha fizeram pior do que Portugal.

Rita Guerra: “Deixa-me Sonhar (Só Mais Uma Vez)”

Riga, 2003 – 22º lugar, 13 pontos


Uma prova de que Portugal nem sequer estava a tentar? Neste ano a escolha foi feita durante o programa “Operação Triunfo” e deixou-se o público escolher a canção vencedora. Até aqui tudo bem, só que à escolha apenas existiam três originais de Rita Guerra. Riga não ficou encantada com a solução Casino Estoril que se encontrou em 2003.

Célia Lawson: “Antes do Adeus”

Dublin, 1997 – 24º lugar, 0 pontos


A ideia foi mais ou menos esta: ali na Europa não gostaram muito de um “E Depois Do Adeus”, mas se calhar gostam mesmo é da coisa antes da despedida. Não, não, não. No ano anterior Portugal tinha tido a melhor prestação de sempre com a canção de Lúcia Moniz; em 1997 decidiu-se que o que é bom é ser lendário de mau. E foi isso que aconteceu com Célia Lawson e os seus coros pavorosos. Recentemente voltámo-la a ver no “The Voice Portugal”.

Sabrina: “Dança Comigo (Vem Ser Feliz)”

Helsínquia, 2007 – 25º lugar, 88 pontos


O 25º lugar é um lugar injusto para Sabrina, perdeu uma posição na final por uns meros três pontos e isso atirou-a para o fundo da tabela. Canção escrita por Emanuel, não se pode dizer que Portugal não tenha tentado de tudo para conseguir agradar o Eurovisão.

Suzy: “Quero Ser Tua”

Copenhaga, 2014 – 27º lugar, 39 pontos


Sete anos depois e Portugal continuava a tentar num registo mais popular, ou seja, pimba. O mais difícil de aceitar é que foi apenas há quatro anos. É verdade que Suzy só ficou a um ponto de conseguir chegar à final. De certeza, que foi melhor assim. Continua em primeiro em termos de mau gosto pela indumentária escolhida.

Sofia Vitória: “Foi Magia”

Turquia, 2004 – 29º lugar, 38 pontos


Sofia Vitória foi escolhida através da “Operação Triunfo”. Portugal estava a guardar-se para o Euro 2004. Ficou muito aquém nas semifinais e a canção ficou justamente esquecida.

2B: “Amar”

Kiev, 2005 – 31º lugar, 51 pontos


Primeira vez em Kiev, segunda vez que a RTP resolve escolher a canção por selecção interna. Bolas, existiram ali uns anos em que pareceu haver mesmo uma total falta de critério.

Filipa Sousa: “Vida Minha”

Baku, 2012 – 31º lugar, 59 pontos


Tenta-se o fado com aquela coisa moderna chamada “electrónica”. Tem tudo para correr mal e corre. Portugal nem passa da semifinal.

Nonstop: “Coisas De Nada (Gonna Make You Dance)”

Atenas, 2006 – 33º lugar, 26 pontos


Em 2006 o Festival RTP da Canção voltou ao seu modelo tradicional, depois de ter estado cinco anos a inventar com escolhas que deram péssimos resultados. Pelo menos voltou-se ao caminho certo. Contudo, as Nonstop não passaram a semifinal nem o teste do tempo.

Leonor Andrade: “Há Um Mar Que Nos Separa”

Viena, 2015 – 36º lugar, 19 pontos


A principal responsável pela vitória de Salvador Sobral? Não se quer meter esse peso em Leonor Andrade, mas a coisa bateu bem fundo e em 2016 nem se foi ao Eurovisão. Em 2017 repensou-se tudo e aqui estamos.

Homens Da Luta: “A Luta É Alegria”

Düsseldorf, 2011 – 40º lugar, 22 pontos


É verdade, Portugal ficou em penúltimo na sua semifinal e esta é a pior prestação de Portugal num Festival Eurovisão da Canção. Mas tem que se tirar o chapéu à escolha desse ano, se as coisas corriam mal e nada resultava, tenta-se com palhaçada total. Levou-se para lá coisas bem piores.
Fonte: Observador
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