Pedro Mestre, Baião Piedade, Josefina Fernanda Bouças, Mariana Cristina, Maria Gertrudes Garcia, Paulo Tojeira, Joaquim Pinto Gonçalves, Sílvio Rosado, Mané Pacheco, Telma Freitas Morna, Leopoldo Garcia Calhau, Lúcia Moniz, Jorge Lira, Jorge Cruz, Teresa Vivas, Hugo Brito, Paulo Amado Eg, José Júlio Mendes Vintém, José Moças, Paulo Ribeiro, Carlos Rosa, Isabel Pereira Dos Santos, Rita Oliveira Dias, Rita Reis Moreira, Felícia Silva. Nuno Costa, Nuno Paulino, Emiliana Silva, Lígia Maria Pires Fernandes entre outros.
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"Farei o possível de ficar o mais próximo daquela alma". A preparação do ator Sérgio Praia para interpretar António Variações
"Variações", a primeira longa-metragem do realizador João Maia, está em rodagem desde o começo de julho e as filmagens terminarão em agosto no Minho, na aldeia de Fiscal, onde António Variações nasceu.
Em Lisboa, esta semana a equipa técnica está a filmar na discoteca Trumps, recriando o dia em que, em 1981, António Variações atuou pela primeira vez com banda, pondo em palco as músicas que compunha e gravava em casa.
Antes de mais um dia de rodagem, o ator Sérgio Praia, 41 anos, que encarna António Variações, recordou à agência Lusa que prepara esta interpretação há mais de uma década. Problemas na produção do filme levaram a um adiamento de vários anos e só agora é que João Maia e o ator estão a rodar a longa-metragem.
"Se tivesse feito filme há dez anos não tinha densidade. Foi preciso este cansaço para hoje conseguir perceber melhor aquilo que ele viveu, a busca constante, o faz-não-faz. Este tempo foi bom para o meu trabalho", afirmou o ator.
Do elenco, além de Sérgio Praia fazem parte, por exemplo, Filipe Duarte, Victoria Guerra, Augusto Madeira, Filipe Albuquerque, Lúcia Moniz, Afonso Lagarto, Maria José Paschoal, José Raposo e Dinarte Freitas.
A longa-metragem irá focar-se sobretudo na transformação de António Ribeiro em António Variações, num período de vida entre 1977 e 1981, a época em que um barbeiro ambicionava viver da música, gravava canções em cassetes e ensaiava com músicos amadores, muito antes de editar oficialmente qualquer canção.
Arrojado e irreverente, influenciado pelo fado, pela música popular e pelo pop rock, António Variações morreu aos 39 anos, a 13 de junho de 1984. Deixou apenas dois álbuns editados pouco antes de morrer: "Anjo da guarda" (1983) e "Dar e receber" (1984).
"Neste tipo de trabalho há o perigo de se ficar preso nesta busca pelas pessoas que o conheceram e chega a uma altura em que devemos fechar o capítulo, não falar com mais ninguém e focar-me naquilo que eu acho que é a grande pista para o António, que são as letras das músicas. É a isso que eu me agarro e é com isso que construo o António que estou a tentar passar às pessoas", afirmou Sérgio Praia à Lusa.
Para o ator, que interpreta todas as canções no filme, o mais difícil é aproximar-se do timbre de António Variações. "Farei o possível de ficar o mais próximo daquela alma".
No 'set' de rodagem, o realizador João Maia explicou à agência Lusa que decidiu focar o filme naquele período específico da vida de Variações por "ser o mais interessante".
"Ele tinha 37 anos quando gravou o primeiro disco. Fui logo tentar saber o que é que ele fez até aos 37 anos; este período em que não sabia música e gravava estas canções em casa, sem ter ninguém para as tocar, a procurar músicos, a fazer os arranjos, as dúvidas que teria sobre o material dele, a voz dele", afirmou o realizador.
A banda sonora está a ser trabalhada pelo músico Armando Teixeira, a partir das cassetes deixadas por António Variações - as mesmas que o projeto Humanos recuperou para um álbum - e é certo que o filme terá pelo menos um tema inédito.
"Tivemos que recriar a música toda baseada nas cassetes que ele deixou com os ensaios e as composições. Voltámos a recriar esses arranjos e como não tínhamos a voz do António limpa, o ator vai cantar essas canções”, afirmou o realizador.
Com produção de Fernando Vendrell, "Variações" só deverá chegar aos cinemas em 2019.
Fonte: 24.sapo
terça-feira
Ricardo II estreia hoje
Hoje estreia a peça de teatro Ricardo II -Palco13, com a participação de Lúcia Moniz, no palco do Teatro Meridional de 18 a 29 de Julho
De Quarta a Sábado às 22h, Domingos às 17h.
O avô dela tocou com o Sinatra, a tia dele dançou com o John Wayne. Isto são os Açores.
O avô dela tocou com o Sinatra, a tia dele dançou com o John Wayne. Isto são os Açores.
"Tu de Quem És?", uma criação coletiva que leva Lúcia Moniz e Miguel Damião ao palco, com textos de Nuno Costa Santos e Alexandre Borges, está em cena neste sábado no Teatro Micaelense, integrado no festival Walk & Talk
© Filipa Couto / Walk & Talk
Mariana Pereira, em São Miguel07 Julho 2018 — 16:17
Um homem das Flores responde ao poeta John Donne e ao verso em que escreve "No man is an Island." ("Nenhum homem é uma ilha"). Diz que John - "posso tratar-te por João?", sotaque açoriano, sempre - está enganado. "Um homem não é uma grande cidade." É mesmo uma ilha.
O homem das Flores é o ator Miguel Damião, e antes já Lúcia Moniz entrara e saíra do palco. Os dois dão corpo, voz, e as suas memórias a Tu de Quem És?, peça com textos de Nuno Costa Santos e Alexandre Borges que se estreou ontem no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, onde neste sábado volta à cena, integrada no festival Walk & Talk.
Os quatro são açorianos, dois de São Miguel, dois da Terceira, e pouco depois de a peça começar já fomos introduzidos à rivalidade que existe entre ilhas. A pergunta "Tu de Quem És?" vai pairando. A certa altura os dois atores respondem-lhe diretamente. Lúcia Moniz, por exemplo, é dos morangueiros do avô, na Terceira onde ela não nasceu, mas onde fez questão que a filha Júlia nascesse. Miguel também não nasceu na sua ilha, mas é da ilha, e de Moçambique também, onde chegou a viver, e de onde tem imagens fortes de um safari que fez com pouco mais de três anos. Não nasceram nos Açores, mas são dos Açores, afirmam.
"Aqui nos meios pequenos tu remetes a pergunta para esse sítio muito próprio que é a árvore genealógica, de quem somos filhos. Mas é engraçado fazeres essa pergunta de forma mais generalizada: Tu de quem és? O que é que te vem à memória? Quem sentes que és? A quem pertences?", lança o ator numa conversa dos dois atores com o DN.

© Filipa Couto / Walk & Talk
"Este espetáculo está com 92% de humidade", diz uma voz. Estamos de facto nos Açores, arquipélago com o ponto mais ocidental da Europa - "Quando o sol se põe aqui já passou por toda a gente" - e onde temos mais uma hora do que aqueles que estão no continente - "Menos uma hora uma ova", ouve-se.
Há muitas cenas cómicas nesta peça em que Miguel Damião veste um fato que evoca uma vaca, e Lúcia Moniz tem um longo vestido com um enorme ananás: ouvi-los, com sotaque, a falar das pessoas da terra; ouvi-los a enumerar o que cada uma das suas ilhas tem, um contra o outro, como num rápido despique de cartas; vê-los feitos Romeu e Julieta versão Terceira.
Mas também há cenas como Lúcia Moniz a cantar o Poema dos Náufragos Tranquilos, de Emanuel Félix, ou aquela, final, em que se ouve a voz de Carlos Alberto Moniz, seu pai, perguntar: "E a menina como se chama?" Ana Lúcia Pereira Moniz. "Quase três anos". Enquanto se ouve a canção cantada pela criança, é projetado um vídeo e juventude do dia em que o pai de Miguel Damião fez 16 anos, um vídeo cheio de crianças, com a sua avó e a sua bisavó.
E se o avô de Lúcia Moniz tocou com Frank Sinatra na Terceira, a tia Micá de Miguel Damião dançou com John Wayne em São Miguel, quando ele por ali passou em 1963. Aliás, o livro de honra daquele teatro tem a sua assinatura.
CINEMAJohn Wayne nos Açores: "Foi um pé-de-vento naquela cidade"
Os dois atores, com Nuno Costa Santos, Alexandre Borges e Cláudia Gaiolas, também envolvida nesta criação coletiva, passaram "quatro dias e meio nos Açores". Do material bruto que saía em conversa, muito deste feito de memórias, ia surgindo o texto.
© Filipa Couto / Walk & Talk
"Para mim este projeto é também uma forma de honrar a minha família. Disse sempre que faria este espetáculo também para eles", explica Miguel Damião, que aqui viveu até aos 20 anos. "Tenho cá a minha família toda. Aqueles agradecimentos todos [numa cena da peça] são tramados, emocionei-me mesmo agora no fim. São praticamente todos primos e tios que vão estar cá hoje à noite, vou estar a agradecer-lhes diretamente", afirma no final do ensaio.
Lúcia Moniz passou a sua primeira infância na Terceira, e tem muitas memórias em casa dos avós, onde ficava quando os seus pais iam em digressão. "Mesmo vivendo a maior parte da minha vida em Lisboa, eu não me sinto lisboeta. Fado para mim... Eu acho as modas açorianas muito mais bonitas. Isso, sim, mexe comigo. São coisas que não têm explicação. Há amigos meus que as vezes dizem-me assim: "Já estás cansada." "Como é que sabes?" "O teu sotaque"."
A jornalista viajou a convite do festival Walk & Talk
Os dois atores, com Nuno Costa Santos, Alexandre Borges e Cláudia Gaiolas, também envolvida nesta criação coletiva, passaram "quatro dias e meio nos Açores". Do material bruto que saía em conversa, muito deste feito de memórias, ia surgindo o texto.

© Filipa Couto / Walk & Talk
"Para mim este projeto é também uma forma de honrar a minha família. Disse sempre que faria este espetáculo também para eles", explica Miguel Damião, que aqui viveu até aos 20 anos. "Tenho cá a minha família toda. Aqueles agradecimentos todos [numa cena da peça] são tramados, emocionei-me mesmo agora no fim. São praticamente todos primos e tios que vão estar cá hoje à noite, vou estar a agradecer-lhes diretamente", afirma no final do ensaio.
Lúcia Moniz passou a sua primeira infância na Terceira, e tem muitas memórias em casa dos avós, onde ficava quando os seus pais iam em digressão. "Mesmo vivendo a maior parte da minha vida em Lisboa, eu não me sinto lisboeta. Fado para mim... Eu acho as modas açorianas muito mais bonitas. Isso, sim, mexe comigo. São coisas que não têm explicação. Há amigos meus que as vezes dizem-me assim: "Já estás cansada." "Como é que sabes?" "O teu sotaque"."
A jornalista viajou a convite do festival Walk & Talk
Fonte : Diário de Notícias
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